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FUP: reivindicações do SMS na reunião com a Petrobrás

Na segunda-feira, 15, data que marcou os nove anos da morte de 11 trabalhadores na explosão da P-36, um dos mais emblemáticos acidentes no Sistema Petrobrás, a FUP reiterou a importância de mudanças estruturais na política de segurança da empresa. As cobranças foram feitas na reunião da Comissão de SMS, quando a Federação pautou uma série de reivindicações e pendências em relação à saúde e segurança. Ao longo desta semana, as comissões de negociação permanente com a Petrobrás reúnem-se para tratar questões relacionadas à terceirização, AMS, aposentadoria especial, regimes de trabalho e acompanhamento do Acordo Coletivo.

Confira o calendário: terça (16) - Comissão de Aposentadoria Especial; quarta (17) - Comissão de AMS; quinta (18) - Comissão de Acompanhamento do ACT; segunda (22) - Comissão de Terceirização; terça (23) - Comissão de Regimes de Trabalho.

Acidente grave na Rlam deixa três trabalhadores feridos
Durante a reunião da Comissão de SMS, a FUP relatou mais um acidente na Petrobrás. Três trabalhadores da empresa MIP, que presta serviços na Rlam, sofreram queimaduras graves durante um acidente na unidade 83 da refinaria, na última sexta-feira (12/03), quando foram atingidos por vapores de alta pressão e temperatura. O soldador Eli da Silva Melo teve 70% de seu corpo queimado e está internado em estado grave. Os outros dois trabalhadores tiveram 15 e 20% do corpo afetado pelas queimaduras.
Marketing x prática
O acidente na Rlam soma-se a uma série de situações de risco que têm exposto o caos da insegurança no Sistema Petrobrás, como panes, incêndios, vazamentos e falhas de equipamentos. Ocorrências que evidenciam as precárias condições de segurança e manutenção em várias unidades da empresa. O SMS da Petrobrás, no entanto, continua agindo como se estivesse tudo na mais perfeita ordem. Na reunião desta segunda-feira, a empresa voltou a afirmar que utiliza as mesmas práticas de segurança com os trabalhadores próprios e contratados e apresentou o balanço de ocorrências em 2009, com o registro de sete acidentes fatais, sendo seis com trabalhadores terceirizados. Ou seja, o que o SMS da Petrobrás prega e relata em seus documentos e exposições está longe do que ocorre no dia a dia nas unidades.
Os números e índices apresentados pela empresa apontam queda na taxa de freqüência de acidentes (TFCA). A FUP tornou a ressaltar que a subnotificação, principalmente dos acidentes que implicam em afastamento do trabalhador, continua sendo prática das gerências no refino, plataformas, terminais e áreas administrativas.
A Petrobrás, no entanto, afirma que a subnotificação não é política da empresa, alegando que o coorporativo prega o cumprimento de todas as normas regulamentadoras. A FUP insistiu que, na prática, existe sim uma orientação para que os médicos do trabalho abonem faltas de trabalhadores acidentados para não configurar acidentes com afastamento. A Federação ressaltou que este tipo de conduta, além de ilegal, desqualifica os números e taxas apresentados pelo SMS em seus relatórios.
Treinamentos e prevenção em segundo plano
A FUP tornou a cobrar o cumprimento das Normas Regulamentadoras 10, 13 e 33, que tratam sobre o treinamento de trabalhadores que atuem em atividades que envolvam eletricidade, vaso de pressão e espaço confinado. A Federação mais uma vez ressaltou que a Petrobrás não cumpre essas NRs, assim como ainda continua exigindo que trabalhadores não habilitados para essas atividades emitam e cumpram Permissões de Trabalho (PT). A Petrobrás ficou de se posicionar sobre esse ponto da pauta na próxima reunião da Comissão de SMS.
Brigadas de incêndio: voluntárias ou específicas?
Outra cobrança da FUP foi em relação à composição das brigadas de incêndio. A Federação vem pautando esta questão em todas as reuniões, assim como na campanha reivindicatória, mas a Petrobrás continua com o entendimento de que a brigada é obrigatória, apesar de exercida por trabalhadores voluntários. A FUP ressaltou que a própria regulamentação do brigadista determina que esta função é específica de técnicos de segurança, que são preparados e treinados para combater incêndio. A empresa, no entanto, continua delegando ao operador a atividade de brigadista, obrigando-o a acumular uma tarefa para a qual não é devidamente preparado, colocando sua vida e a dos colegas em risco. A Petrobrás concorda que é preciso melhorar as brigadas de incêndio, mas entende que o trabalho deve ser exercido pelos operadores. A FUP continua defendendo que seja facultado ao trabalhador o direito de negar-se a exercer a função de brigadista, sem que sofra qualquer tipo de retaliação.

Sindipetro-NF denuncia insegurança em ato público pelos nove anos do acidente com a P-36
Em ato público realizado nesta segunda-feira (15) durante os embarques no heliporto de Farol de São Tomé, em Campos, o Sindipetro-NF denunciou que a insegurança continua sendo rotina para os trabalhadores da Bacia de Campos. Segundo o sindicato, desde o acidente com a P-36, há exatos nove anos, mais 32 petroleiros morreram em acidentes de trabalho na região. O coordenador do sindicato, José Maria Rangel, ressaltou que “a empresa tem muita propaganda, mas não faz uma política consistente de saúde e segurança dos trabalhadores”. O ato teve participação do presidente da CUT-RJ, Darby Igayara, e de representantes da FUP.
Direção Colegiada da FUP



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