Em junho, pelo segundo mês consecutivo, o custo da cesta básica em Salvador diminuiu. A redução foi de 3,85%. Assim, em junho, a cesta básica passou a custar R$ 207,85, contra os R$ 216,18 registrados no mês anterior. A cesta básica calculada pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - é composta de 12 produtos, conforme definido pelo decreto-lei 399 de 30 de abril de 1938.
No acumulado dos últimos doze meses (de julho de 2009 a junho de 2010), o custo dos alimentos básicos sofreu alta de 4,44% na capital baiana. Em junho, a cesta básica de Salvador foi a 3ª mais barata dentre as 17 capitais pesquisadas.
SALÁRIO MÍNIMO ELEVA SEU PODER DE COMPRA
A redução no custo da cesta básica em Salvador elevou o poder de compra do trabalhador que ganha um salário mínimo. Este trabalhador comprometeu 44,30% de seu rendimento líquido com a cesta básica em maio. Em maio, 46,07% do rendimento líquido do salário mínimo era comprometimento com a compra da cesta básica.
O rendimento líquido do salário mínimo atualmente é de R$ 469,20, após desconto de 8% referente à contribuição previdenciária.
Este mesmo trabalhador soteropolitano trabalhou menos em junho para adquirir uma cesta básica. O tempo de trabalho necessário foi de 89 horas e 40 minutos no mês passado, contra 93 horas e 15 minutos em maio.
ALIMENTAÇÃO BÁSICA DA FAMÍLIA BAIANA CUSTA R$ 623,55
O custo da cesta básica para o sustento de uma família foi de R$ 623,55 durante o mês de junho. Esse valor equivale a aproximadamente 1,22 salário mínimo bruto. No mês de abril, o custo da cesta básica para uma família era de R$ 648,54. É utilizada como referência uma família composta por quatro pessoas: dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto.
SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO É R$ 2.092,36
O DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria corresponder a R$ 2.092,36 em junho, valor que equivale a 4,10 vezes o salário mínimo vigente no mesmo mês. Em maio, a estimativa do salário mínimo necessário era de R$ 2.157,88.
Essa estimativa do salário mínimo necessário é calculada com base na cesta básica mais cara apurada entre as 17 capitais pesquisadas; além disso, leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS
A cesta básica, em Salvador, ficou mais barata no mês de junho em decorrência da redução de preços de 9 (nove) dos 12 (doze) produtos que a compõem. Pelo segundo mês consecutivo, o tomate foi o produto que registrou a maior redução de preço. As altas de preços foram registradas na pão, óleo de soja e no café.
Na capital baiana, o preço médio do tomate apresentou uma redução de 12,58% em junho. Uma melhora na oferta deste produto, contribuiu para esta redução. No entanto, nos 6 meses de 2010, o tomate apresenta uma alta acumulada de 64,50%. O produto apresentou queda em 15 cidades. Nas capitais do Norte e Nordeste, foi o item que mais influenciou a redução do valor mensal da cesta.
A farinha de mandioca também apresentou uma queda de preço razoável em junho (-9,02%). Esta queda foi maior do que a verificada no mês anterior (-0,95%).
Depois de várias altas sucessivas, o preço médio do feijão reduziu 5,95% em junho. A chegada ao mercado da segunda safra do produto pode ter contribuído para a melhora da oferta e o recuo nos preços.
Embora esteja em pleno período de entressafra, entre maio e agosto, a oferta do leite no mercado tende a diminuir devido a estiagem nas regiões de pastagem, o preço do leite (-4,13%) também apresentou redução pelo segundo mês consecutivo em junho em Salvador. Depois de uma recuperação no preço pago ao produtor que estava baixo, provavelmente aconteceu um aumento na captação do produto.
O preço da carne bovina, produto com maior contribuição para o custo da cesta, registrou queda de 2,92% em Salvador. Mesmo com a oferta interna baixa e a demanda aquecida e o início da entressafra, houve uma redução de preço em junho.
VARIAÇÕES NAS CAPITAIS
Das 17 capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, 16 apresentaram queda de preço em junho. Em nove cidades, a queda superou -3%; em outras quatro, ficou entre 2% e 3%. As maiores reduções ocorreram em Manaus (-5,14%), Rio de Janeiro (-5,08%) e Vitória (-4,83%). A única capital onde a cesta básica registrou aumento de preços foi Goiânia (alta de 5,22%), onde o preço do feijão explica a maior parte desta variação.
No primeiro semestre deste ano, em todas as localidades pesquisadas os preços acumulam aumento. As maiores variações foram registradas em Recife (21,88%), Goiânia (16,88%), Natal (13,80%), além de João Pessoa e Salvador, com 13,66% e 13,49%, respectivamente.
Nos últimos 12 meses, apenas em Fortaleza foi registrada redução no valor da cesta (-3,58%). Ao longo deste período, Manaus apresentou a maior variação para o conjunto dos produtos: 10,64%. Entre as 16 cidades com variações positivas, as menores ficaram em Vitória (1,68%), Porto Alegre (1,84%) e Aracaju (4,43%).
JORNADA DE TRABALHO
Para adquirir a cesta básica, o trabalhador que ganha salário mínimo precisou cumprir, em junho, na média das 17 capitais pesquisadas, jornada de 94 horas e 56 minutos, tempo menor que o exigido em maio (97 horas e 39 minutos). Em junho de 2009, a mesma compra comprometia jornada bem inferior: 90 horas e 14 minutos.
Quando se considera o percentual do salário mínimo líquido gasto com a cesta, após a dedução da parcela referente à Previdência Social, também é possível notar um pequeno recuo, em junho (46,90%) em relação ao comprometido em maio (48,24%). Em junho de 2009, o custo da cesta representava 48,90% do mínimo líquido.
Fonte: Dieese- BA
O ex-diretor deste Sindicato, aposentado da empresa Millennium e também professor universitário, fala sobre aspectos da cidadania analisados no seu livro Uma história do exercício da cidadania no Brasil.