Em fevereiro de 2010, o custo da cesta básica em Salvador aumentou 6,71%, passando a custar R$ 198,24, contra os R$ 185,77 registrados no mês anterior. A cesta básica calculada pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – é composta de 12 produtos, conforme definido pelo decreto-lei 399 de 30 de abril de 1938.
No acumulado dos últimos doze meses (de março de 2009 a fevereiro de 2010), o custo dos alimentos básicos sofreu leve alta de 0,59% na capital baiana. Em fevereiro, a cesta básica de Salvador foi a 7ª mais barata dentre as 17 capitais pesquisadas.
SALÁRIO MÍNIMO REDUZ SEU PODER DE COMPRA
A elevação no custo da cesta básica em Salvador reduziu o poder de compra do trabalhador que ganha um salário mínimo. Este trabalhador comprometeu 42,25% de seu rendimento líquido com a cesta básica em fevereiro. Em janeiro de 2009, 39,59% do rendimento líquido do salário mínimo era comprometimento com a compra da cesta básica.
Em janeiro, o rendimento líquido passou a ser de R$ 469,20, após o aumento do valor do salário mínimo para R$ 510,00 e o desconto de 8% referente à contribuição previdenciária.
Este mesmo trabalhador soteropolitano precisou trabalhar 85 horas e 31 minutos para comprar a cesta básica em fevereiro, contra 80 horas e 08 minutos no mês anterior.
ALIMENTAÇÃO BÁSICA DA FAMÍLIA BAIANA CUSTA R$ 594,72
O custo da cesta básica para o sustento de uma família composta por quatro pessoas (dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto) foi de R$ 594,72 durante o mês de fevereiro. Esse valor equivale a aproximadamente 1,17 salário mínimo bruto. No mês de janeiro, o custo da cesta básica para esta mesma família era de R$ 557,31.
SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO É R$ 2.003,30
O DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria corresponder a R$ 2.003,30 em fevereiro de 2010, valor que equivale a 3,93 vezes o salário mínimo vigente no mesmo mês. O valor estimado para fevereiro é superior ao calculado para janeiro, quando o salário mínimo necessário era de R$ 1.987,26.
A estimativa do salário mínimo necessário é calculada com base na cesta básica mais cara apurada entre as 17 capitais pesquisadas; além disso, leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS
A cesta básica, em Salvador, ficou mais cara no mês de fevereiro em decorrência da alta de preços de 8 (oito) dos 12 (doze) produtos que a compõem. O tomate, o açúcar e a manteiga foram os produtos que apresentaram as altas mais expressivas no mês. O café manteve o preço médio estabilizado. Apenas a carne, o óleo de soja e o feijão registraram queda de preço.
O tomate continuou registrando expressiva alta: em fevereiro, o preço médio subiu 33,85% em Salvador. O excesso de chuvas tem comprometido a qualidade do fruto, reduzindo drasticamente a produção. Em 2010, a alta acumulada já é de 54,44%.
O preço do açúcar intensificou o ritmo de alta e subiu 13,64% em fevereiro. Compradores e vendedores ainda estão aguardando a nova safra do açúcar, que deve começar em meados de março. Enquanto isso, o preço segue em alta.
O preço da farinha de mandioca registrou forte alta em fevereiro (8,92%). Após registrarem queda no mês anterior, os preços da manteiga e da banana também subiram: 9,31% e 5,96%, respectivamente.
O preço médio do pão na capital baiana registrou alta de 6,68% em fevereiro. O aumento da cotação do grão de trigo já tem sido repassado ao consumidor final.
Em fevereiro, o preço médio do arroz subiu 5,26% em Salvador. Com o atraso da safra e, ao mesmo tempo, os estoques privados elevados, os produtores aguardam melhor momento para vender com preços maiores.
Na capital baiana, o preço do leite continuou subindo e registrou alta de 2,70% em fevereiro. A expectativa da recuperação do leite no mercado internacional já começou a refletir no mercado interno. Em plena safra, os preços têm subido tanto para o produtor quanto para o consumidor final.
Após cair por dois meses seguidos, o preço médio do café ficou estabilizado em Salvador. Apesar das perdas na lavoura, a expectativa é de crescimento da oferta. Talvez por isso, os preços ainda não tenham reagido.
O preço da carne bovina registrou queda de 1,39% na capital baiana, após dois meses de alta. Com exportações maiores e aumento da demanda interna, contudo, os preços ao consumidor doméstico tendem a subir.
O preço do óleo de soja voltou a cair em fevereiro (-7,06%). O estoque elevado de soja já começa a prejudicar o armazenamento do grão, cuja colheita avança. Esse fator pode pressionar para baixo os preços internos, assim como a expectativa de aumento da oferta mundial já tem derrubado a cotação internacional do grão.
O preço médio do feijão registrou a terceira queda consecutiva, após ter caído 9,78% em fevereiro. Apesar das perdas de produção em função das chuvas, a oferta da 1ª safra, que vem sendo colhida desde dezembro, tem crescido.
VARIAÇÕES NAS CAPITAIS
A pesquisa mensal da cesta básica registrou alta de preço em 16 das 17 capitais pesquisadas no mês de fevereiro. As altas mais expressivas ocorreram em Recife (6,84%), Salvador (6,71%) e Belo Horizonte (5,26%). Apenas Goiânia registrou redução de preço (-4,55%).
A capital gaúcha continuou registrando a cesta básica mais cara dentre as capitais pesquisadas (R$ 238,46). A cesta de São Paulo também continuou ocupando a segunda posição dentre as mais caras no mês de fevereiro, custando R$ 229,64. Os menores valores de cesta básica foram apurados em Aracaju (R$ 169,57) e Fortaleza (R$ 176,89).
JORNADA DE TRABALHO
Por causa da predominância de alta nos preços dos produtos básicos, o tempo médio de trabalho necessário para a aquisição da cesta básica nas 17 localidades subiu. Em fevereiro de 2010, correspondeu a 88 horas e 52 minutos. Em janeiro, a jornada necessária ficava em 86 horas e 48 minutos. Em fevereiro de 2009, o tempo de trabalho necessário era de 110 horas e 21 minutos.
Quando se compara o custo da cesta básica com o salário mínimo líquido, verifica-se que, em fevereiro de 2010, considerando as 17 capitais, a compra da cesta comprometia 43,91% do valor recebido. Em janeiro de 2009, eram necessários 42,88% do rendimento líquido, para adquirir os mesmos itens. Há um ano, o comprometimento correspondia a 49,58%.
Borges fala nesta entrevista sobre o comportamento da mídia nas eleições de 2010.