* DIEESE: Escritório Bahia.
Em janeiro de 2010, o custo da cesta básica em Salvador aumentou 1,43%, passando a custar R$ 187,77, contra os R$ 183,15 registrados no mês anterior. A cesta básica calculada pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - é composta de 12 produtos, conforme definido pelo decreto-lei 399 de 30 de abril de 1938.
No acumulado dos últimos doze meses (de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010), o custo dos alimentos básicos sofreu queda de 7,90% na capital baiana. Em janeiro, a cesta básica de Salvador foi a 5ª mais barata dentre as 17 capitais pesquisadas.
Apesar da elevação no custo da cesta básica em Salvador, o poder de compra do trabalhador elevou-se em janeiro em decorrência do reajuste do salário mínimo. O trabalhador soteropolitano que ganha um salário mínimo comprometeu 39,59% de seu rendimento líquido com a cesta básica em janeiro.
Em dezembro de 2009, 42,81% do rendimento líquido do salário mínimo - que era de R$ 427,80 - era comprometimento com a compra da cesta básica. Em janeiro, o rendimento líquido passou a ser de R$ 469,20, após o desconto de 8% referente à contribuição previdenciária.
Este mesmo trabalhador precisou trabalhar 80 horas e 08 minutos para comprar a cesta básica em janeiro, contra 86 horas e 39 minutos no mês anterior.
O custo da cesta básica para o sustento de uma família composta por quatro pessoas (dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto) foi de R$ 557,31 durante o mês de janeiro. Esse valor equivale a aproximadamente 1,09 salário mínimo bruto, que em janeiro passou a ser R$ 510,00. No mês de dezembro, o custo da cesta básica para esta mesma família era de R$ 549,45 e o salário mínimo era R$ 465,00.
O DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria corresponder a R$ 1.987,26 em janeiro de 2010, valor que equivale a 3,9 vezes o salário mínimo vigente no mesmo mês. O valor estimado para janeiro é um pouco inferior ao calculado para dezembro (R$ 1.995,91).
Essa estimativa é calculada com base na cesta básica mais cara apurada entre as 17 capitais pesquisadas; além disso, leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
A cesta básica, em Salvador, ficou mais cara no mês de janeiro em decorrência da alta de preços de apenas 5 (cinco) dos 12 (doze) produtos que a compõem. O tomate, o açúcar e o arroz foram os produtos que apresentaram alta mais expressiva no mês.
O tomate iniciou o ano de 2009 com preço médio em forte alta. O excesso de chuvas comprometeu a qualidade do fruto e reduziu drasticamente a produção.
O preço do açúcar subiu 5,88% em janeiro, após expressiva queda no mês anterior. Além das excessivas chuvas estarem prejudicando a qualidade da cana, a forte demanda internacional tem pressionado os estoques de açúcar do Brasil. Esses fatores podem comprometer o abastecimento interno e continuar pressionando os preços para cima nos próximos meses.
Em janeiro, o preço médio do arroz subiu 5,56% em Salvador. Os preços internos reagiram rapidamente à redução da oferta interna e mundial. O clima adverso nas regiões produtoras, especialmente do Rio Grande do Sul (responsável por 61% da safra nacional), reforçou essa redução da oferta.
O preço da carne bovina registrou alta de 1,51% na capital baiana. Com a recuperação das exportações e o consumo interno aquecido, os preços devem se recuperar em relação a 2009. A oferta de carne também deve crescer nesta safra, pois as chuvas melhoram os pastos para os bovinos.
A captação de leite teve pequeno recuo no mês anterior, o que manteve os preços praticamente inalterados. Na capital baiana, o preço do leite subiu 0,54% em janeiro, quebrando a sequência de quatro quedas consecutivas.
O preço médio do pão na capital baiana registrou queda de 0,40% em janeiro. Com a produção de trigo prejudicada, tanto no Brasil quanto nos países vizinhos, de onde tradicionalmente nos abastecemos, a expectativa é de que nos próximos meses, o preço da principal matéria-prima do pão sofra alta.
O preço da farinha de mandioca caiu 1,84% em janeiro. O preço da manteiga registrou queda de 2,38% e o da banana registrou queda de 2,76% no mês.
O preço do óleo de soja caiu 3,04% em janeiro, após registrar quatro altas seguidas. A colheita de soja começou com os preços em baixa, mas a perspectiva de comercialização garantida pode segurar os preços. Há uma previsão de aumento da área plantada na região Oeste da Bahia e de um aumento de mais de 15% da produção.
O preço médio do feijão caiu 5,31% em janeiro. Mesmo com toda a chuva e as perdas já registradas, a produção da primeira safra de feijão deve ser maior este ano.
O preço médio do café caiu 5,97% em Salvador. A colheita de safra 2010 pode alcançar um recorde, pois este ano é o ciclo de alta na bianualidade da produção do grão. Além disso, as condições climáticas, até o momento, são consideradas favoráveis à cultura.
A pesquisa mensal da cesta básica registrou alta de preço em 10 das 17 capitais pesquisadas no mês de janeiro. As altas mais expressivas ocorreram em Goiânia (4,61%), Salvador (1,43%) e Florianópolis (1,10%). As demais altas ficaram abaixo de 1,0%.
Das 7 capitais que registraram redução de preço da cesta, Belo Horizonte e Brasília foram as que tiveram maior queda: -3,87% e -3,49%, respectivamente.
A capital gaúcha continuou tendo a cesta básica mais cara dentre as capitais pesquisadas (R$ 236,55), apesar de ter registrado queda de preço no mês (-0,43%). A cesta de São Paulo também continuou ocupando a segunda posição dentre as mais caras no mês de janeiro, custando R$ 225,02. Os menores valores de cesta básica foram apurados em Aracaju (R$ 169,13) e João Pessoa (R$ 171,97).
Apesar da predominância de alta nos preços dos produtos básicos, o tempo médio de trabalho necessário para a aquisição da cesta básica nas 17 localidades caiu. Em janeiro de 2010, correspondeu a 86 horas e 48 minutos. Em dezembro, a jornada necessária ficava em 95 horas e 20 minutos. Em janeiro de 2009, o tempo de trabalho necessário era de 115 horas e 44 minutos. Mais uma vez, o resultado foi influenciado pelo reajuste do salário mínimo.
Quando se compara o custo da cesta básica com o salário mínimo líquido, verifica-se que, em janeiro de 2010, considerando as 17 capitais, a compra da cesta comprometia 42,88% do valor recebido. Em dezembro de 2009, eram necessários 47,10% do rendimento líquido, para adquirir os mesmos itens. Há um ano, o comprometimento correspondia a 56,54%.
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