Três trabalhadores da empresa MIP Engenharia, que presta serviço a Petrobras, sofreram queimaduras no corpo ao serem atingidos por vapor de alta pressão e temperatura de quase 400 graus, que escapou de uma tubulação. O acidente aconteceu na unidade 83 da Rlam, na sexta-feira, dia 12, por volta das 15 horas, quando os trabalhadores estavam implantando duas caldeiras. Os trabalhadores estão internados no Centro de Medicina Humana (antiga UMI), em Candeias. Um deles teve mais de 70% do corpo queimado, foi submetido a uma cirurgia e o estado de saúde dele é delicado. Os outros dois tiveram de 15 a 20% do corpo queimado, mas passam bem.
Inicialmente o Sindicato teve dificuldades em obter informações sobre o acidente. Foram colocados dois seguranças a mais no acesso ao setor de internamento, não se sabe por ordem de quem, e com qual finalidade. Quando a médica do Sindicato chegou ao local foi impedida de entrar, o que só foi permitido depois de uma longa negociação. Nossa entidade cumpriu seu papel de acompanhar os familiares dos trabalhadores e se certificar se o ambiente onde aconteceu o acidente tem condições de voltar a operar.
Nossa entidade recebeu denúncias de que as etapas normais de segurança para execução do serviço não teria sido seguida, o que teria levado a informações desencontradas, ocasionando o acidente. O Sindicato chama a atenção para a política de segurança da Petrobrás que está deixando a desejar. Em busca da redução de custos e de respostas imediatas para seus empreendimentos, a Petrobrás está negligenciando a segurança dos Trabalhadores, sobrecarregando-os. E ainda não prioriza o treinamento nas empresas terceirizadas. O Sindicato exigiu participar da comissão que vai investigar o acidente, conforme cláusula do nosso Acordo Coletivo, o que já foi confirmado pela empresa.
Mobilização
Os trabalhadores diretos e terceirizados da Rlam participaram na manhã da segunda-feira, dia 15/03, de uma grande mobilização no Trevo da Resistência, em protesto ao acidente que aconteceu com os trabalhadores da empresa MIP. O ato, que aconteceu durante toda a manhã, foi organizado pelo nosso Sindicato e pelo Sittican e teve também como objetivo chamar a atenção para a política de SMS da Petrobrás que não prioriza a vida e a saúde dos trabalhadores. É preciso acabar com a produção a qualquer custo e a pressa para colocar os equipamentos para funcionar. Esta pressa está ocasionando diversos acidentes e é preciso reafirmar sempre que “Não Há Lucro que Pague uma Vida”.
Borges fala nesta entrevista sobre o comportamento da mídia nas eleições de 2010.