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O presidente da CUT-BA, Martiniano Costa

Na Base - Qual o significado político do fato do Fórum Social Mundial acontecer em Salvador, no mês de janeiro?

Martiniano Costa - A etapa Bahia do Fórum Social Mundial, que acontecerá de 29 a 31 de janeiro de 2010, tem um peso muito importante para a Bahia, não só pelo seu caráter internacional, mas pelas discussões políticas que serão realizadas. Teremos oportunidade de aprofundar questões de interesse geral dos trabalhadores e de segmentos como juventude, raça e gênero, entre outros. O evento deve gerar ricas contribuições para o Fórum de Dakar, no Senegal, em 2011. Nesse sentido, o FSM da Bahia irá estabelecer ainda um diálogo entre cidades com culturas semelhantes.

NB - Qual é o papel da CUT e de seus Sindicatos na organização do Fórum na Bahia?

MC -Desde setembro, quando foi criado o Comitê Baiano do FSMTB, responsável por organizar o evento em Salvador, a CUT, bem como outras entidades do movimento social, estão participando ativamente de todas as discussões e propostas. O Fórum terá acampamentos da Juventude, Plenária das Mulheres Negras, do Meio Ambiente, Cultura, entre outros, dos quais a CUT deve participar de forma efetiva, com seus mais de 500 sindicatos filiados e mais de três milhões de trabalhadores e trabalhadoras representados na base, sua militância e com o engajamento necessário. Além disso, vamos levar as nossas bandeiras de luta para que sejam discutidas amplamente e participar de todas as etapas desse processo.

NB -Quais são as propostas que os movimentos sindicais e populares vão encaminhar ao Fórum?

MC - Estamos ainda em fase de discussão. É sempre importante salientar que o Fórum Social Mundial simboliza o crescimento do movimento anti-globalização, com a proposta de que um outro mundo é possível. Creio que as transformações necessárias para mudar a vida das pessoas só serão realizadas num esforço conjunto dos que acreditam e lutam para essa causa. É esse o trabalho que estamos propondo, de mudanças climáticas, novas matrizes energéticas, propostas de enfretamento da crise econômica e financeira internacional, com geração de empregos, valorização dos salários e garantias dos direitos trabalhistas.

NB - Quais serão os temas discutidos durante o Fórum?

MC- Até o momento, o que está proposto é que a parte baiana do FSM acontecerá em três frentes: o 1º Fórum Mundial de Respostas à Crise, que debaterá as estratégias para enfrentamento à crise econômica mundial; 1º Fórum Mundial de Diálogos e Controvérsias, onde o movimento social poderá apontar alternativas para solução das conseqüências da crise em pé de igualdade com os governantes; e o1º Fórum Mundial das Culturas Periféricas reunirá artistas africanos e latinos em um grande caldeirão cultural. Além disso, mais de 12 mesas temáticas e uma série de atividades autogestionadas sob a responsabilidade das entidades proponentes.

NB - Na sua opinião, quais serão os resultados concretos que o Fórum trará para a organização sindical e popular?

MC - Vários são os aspectos positivos da realização desse Fórum. Avalio que a possibilidade de dialogar com os vários segmentos dos movimentos sociais fortalece a todos. É preciso unificar nossas ações e propostas para acumular forças para mudar o mundo em que vivemos e isso já está acontecendo. Assim como na Bahia, ao longo de 2010, o processo do Fórum Social Mundial será realizado de maneira descentralizada com eventos e atividades ao redor do mundo. Isso possibilita acumular, a partir das análises e experiências das organizações e movimentos sociais da sociedade civil planetária, propostas para enfrentar a crise global em todas as suas dimensões: econômica, ambiental, política, alimentar, energética, cultural, entre outras. Aqui na Bahia, o documento final do FSMTB servirá de alavanca para a construção do FSM de Dakar 2011, na África, uma vez que Salvador é a maior cidade negra fora do continente africano e possui uma semelhança muito grande nos hábitos e cultura dos dois povos.



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