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Maria Cristina Brito Costa.

Na Base- Quais são as principais bandeiras de luta da Secretaria da Mulher Trabalhadora para o 8 de Março? E qual será a programação?

Maria Cristina- Existem os eixos de lutas internacionais, nacionais e locais, no estado a nossa secretaria priorizou o projeto que chamamos de “mês lilás” onde estaremos presente nas atividades dos nossos sindicatos filiados da capital e interior durante todo o mês debatendo todos os temas de interesse da mulher trabalhadora, despertando a consciência crítica, levando conhecimento de ações onde estamos envolvidas a exemplo da Lei Maria da Penha, para que toda mulher trabalhadora seja multiplicadora e agente de transformação no processo de mudança que essa lei proporciona. Outros eixos são: dar continuidade a assinatura da resolução 156 da OIT, para encaminharmos ao congresso nacional nossa solicitação de aprovação para que seja sancionado pelo Presidente da República; participar na luta pela redução das 40 horas semanais que facilitará a mulher e o homem a ter mais tempo para cuidar de si e dos seus familiares. E ainda desenvolver campanhas pela igualdade de pagamento, igualdade de gênero dentro do local do trabalho e da sociedade; defender a igualdade de gênero dentro dos sindicatos; participar das decisões partidárias, nos sindicatos nos processos de negociação coletiva e decisões dos interesses dos trabalhadores, de associações ou onde quer que esteja inserida, sendo protagonista da história sendo militante onde vive.

NB-  Na sua opinião, a implementação da Lei Maria da Penha fez com que diminuíssem os casos de violência contra a mulher no Estado?

MC- Eu acredito que ainda está longe do que desejamos, mas uma parcela da sociedade já começou a mobilizar com audiência nas esferas da sociedade. É preciso que o estado propicie nos municípios a implantação de Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar, mas paralelo necessita de uma mudança de cultura dos responsáveis pelo atendimento às vítimas, seja nas Delegacias Especializadas ou não, e que haja um canal de intercâmbio, inclusive na área educacional para que seja projetado uma mudança de atitude nos cidadãos. Quando conseguirmos fazer com que as ações do estado e da sociedade civil sejam uma rede de relacionamento de diálogo permanente alcançaremos melhorias contínuas.

NB- A nossa categoria foi pioneira na implantação da ampliação da licença-maternidade para seis meses, esta reivindicação poderá ser ampliada para as mulheres trabalhadoras rurais?

MC-Certamente, mas como tudo é um processo de luta constante cabe nos empenharmos e sermos solidários para que todas as trabalhadoras sejam incluídas e que as conquistas sejam universais a todas trabalhadoras, seja no setor privado, público, bem como as trabalhadoras rurais. Vamos dar qualidade de vida às mulheres e seus filhos.

NB- A Secretaria da Mulher vai defender o nome de uma mulher para presidente da República?

MC-Estamos vivendo no nosso país um momento histórico e devemos estar perceptíveis, organizando nossas forças para registrarmos nosso voto pela igualdade de oportunidade que hoje se apresenta. Temos o respeito pelas candidatas que se colocam como pré-candidatas. Mas nós que militamos numa Central Sindical, a exemplo da CUT, que sempre participou dos momentos históricos de transformação defendendo e colaborando buscando o diálogo com o governo e a sociedade, não somente na esfera nacional como internacional, tem a responsabilidade de defender a bandeira das mudanças e, mais uma vez, colocar seu nome na história. Portanto, defenderemos o nome da companheira Dilma Rousseff para presidente do Brasil.

NB-  Quais são os principais problemas enfrentados pelas mulheres trabalhadoras rurais e urbanas?

MC- Em primeiro lugar quero destacar a dupla jornada de trabalho. Quando as mulheres chegam em casa são responsáveis pelo cuidado dos filhos e por realizar serviço doméstico. Não sobra tempo para o lazer na maioria das vezes impedindo, inclusive, a mulher de participar ativamente das atividades da luta de sua classe. Há também a discriminação no mercado de trabalho, as mulheres recebem salários em média  30%  inferior ao dos homens. As ofertas de trabalho são em atividades de baixa produtividade e na sua maioria e realizam serviço informal. O assédio moral e sexual é freqüente.



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