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Jornalista Altamiro Borges

O jornalista Altamiro Borges é editor da revista Debate Sindical e autor do livro “A Ditadura da Mídia” editado pela Coleção Vermelho. Ele fala nesta entrevista sobre o comportamento da mídia nas eleições deste ano. Veja a seguir:

Na Base - Qual é sua avaliação do comportamento da grande mídia no processo eleitoral em curso. Na sua opinião, essa mídia tem partido? Qual?
Altamiro Borges - A mídia golpista já tomou partido, o partido dos demotucanos, do candidato Serra. Antes mesmo da campanha oficial, o jornal Folha já publicava uma ficha policial falsa sobre Dilma Rousseff, insinuava que Lula tentou estuprar um amigo de cela durante a greve dos metalúrgicos do ABC e blindava o ex-governador José Serra, evitando divulgar os graves problemas de São Paulo. A revista Veja deu várias capas contra o partido do presidente, insinuando corrupção na cooperativa dos bancários, e agora dá uma capa sangrenta contra os “radicais do PT”. E a TV Globo dava espaço para seus colunistas, que mais parecem calunialistas, tipo Merval Pereira, Arnaldo Jabor e Miriam Porcão, para atacar o governo federal. A tendência é que cobertura das eleições seja, a partir do final da Copa, ainda mais violenta, hidrófoba. A mídia sabe que esta eleição é decisiva, é uma questão de vida ou morte para a direita brasileira - como recentemente alertou a comentarista global Cristiana Lobo. Se os eleitores garantirem a continuidade do atual governo, os demos irão à falência. Dizem que até o diabo está chateado com o apelido e já informou que não há vagas no inferno. Já os tucanos correm sérios riscos de extinção. Isolados, terão mais dificuldades para as suas ações golpistas. Diante da fraqueza dos demotucanos, a mídia fará o jogo sujo da direita. Ela já fez isto contra Getúlio Vargas, contra João Goulart, contra a retomada do movimento grevista no final da década de 80 e contra o MST na atualidade. Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), confessou abertamente esta postura golpista numa entrevista recente. Como ensinou o comunista italiano Antonio Gramsci, ainda na década de 20 do século passado, em momentos de crise das instituições burguesas, a imprensa ocupa o papel de “partido do capital”, de partido da direita.

NB - O jornalista Paulo Henrique Amorim cunhou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) para mostrar como os jornalistas usam a mídia para fazer oposição ao governo Lula. Nesse sentido, qual é o papel da imprensa alternativa, em especial da sindical, para barrar esses ataques ao Presidente Lula?
AB - A expressão PIG é excelente. Revela o que é a mídia brasileira, ontem e hoje. Não dá para nutrir ilusões com esta imprensa, altamente concentrada e com perigosa capacidade de manipulação. Daí a importância do movimento social, principalmente do sindical, de apostar na construção de seus próprios meios de comunicação, alternativos, contra-hegemônicos. A imprensa popular e sindical não pode ser encarada como um gasto, mas sim como um investimento estratégico na frente decisiva da luta de idéias da sociedade. É preciso investir mais neste setor, aperfeiçoar seu conteúdo e sua linguagem. Do contrário, ficaremos sempre na defensiva na luta ideológica, no despertar da consciência crítica.

NB - Na sua opinião, existe algum plano em ação para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff antes das eleições de outubro?
AB - A edição deste semana da revista Veja, falando dos “monstros da esquerda” que rodeiam Dilma, mostra que a imprensa está preparando sua artilharia pesada. Ela não vai vacilar, não vai pegar leve. Pelo contrário. Dilma será alvo de uma campanha baixa, suja, inclusive de conteúdo machista. Josias de Souza, blogueiro predileto da família Frias, inclusive postou na UOL uma charge que compara a candidata a “garota de programa”, a prostituta. No primeiro mandato do presidente Lula houve muita ilusão com a mídia golpista. No segundo, o governo acordou, mas ainda timidamente, ao criar a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que produz a TV Brasil, e ao convocar a primeira Conferência Nacional de Comunicação. Mas ainda há muita defensiva diante desta mídia demotucana. É preciso evitar o salto alto na campanha, já que o tombo pode ser maior. A mídia fará o jogo sujo para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff e nós precisamos estar preparados para responder as baixarias.

NB - Como funcionará o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé do qual o senhor faz parte?
AB - O Centro Barão de Itararé nasceu em maio passado. É uma entidade nova, que homenageia um dos maiores jornalistas da nossa história, Apparicio Torelli, o criador da imprensa alternativa e o pai do humorismo brasileiro. A entidade reúne as principais publicações progressistas do país, jornalistas renomados que adotam uma postura ética e crítica, e entidades dos movimentos sociais. Ela é ampla e plural. Entre outros objetivos, o Barão de Itararé visa contribuir na luta pela democratização dos meios de comunicação, fortalecer os veículos alternativos e comunitários existentes, promover estudos sobre a mídia e ajudar no processo de formação dos comunicadores populares. Para cumprir seus objetivos, precisamos do apoio das entidades que lutam contra a ditadura midiática e dos movimentos sociais.



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